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Estudo da OMS sobre defeitos congênitos no Iraque omite as causas
Sudeshna Chowdhury

NAÇÕES UNIDAS, 29 de julho de 2013, (IPS) - (Tierramérica).- Investigação maior da OMS não se preocupou com o porquê da onda de defeitos genéticos e câncer em algumas regiões do Iraque.


Crédito: Karlos Zurutuza/IPS
Um pai segura seu filho doente de câncer em Basra, pouco depois da morte de outra filha pela mesma doença. A foto foi feita em fevereiro de 2011. A criança faleceu alguns
O longamente esperado estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde do Iraque sobre a prevalência de malformações congênitas e câncer nesse país terá uma amplitude inusitada, mas também um vazio difícil de explicar. Segundo a OMS, a pesquisa foi feita em 10.800 famílias e deveria ser publicada nos primeiros meses deste ano, mas continua atrasada.

Cientistas e médicos começam a questionar essa demora, mas há outro aspecto que preocupa mais. Segundo a OMS, o estudo não examina o vínculo entre a prevalência de malformações congênitas e o emprego de munições com urânio empobrecido durante a guerra e a ocupação norte-americana do Iraque (2003-2011).

O urânio empobrecido, um resíduo do processo de enriquecimento desse metal, é empregado em munição por seu poder de perfurar paredes e veículos blindados. Mas os projéteis carregados com essa substância se pulverizam ao contato e geram um pó que é inalado e se aloja nos pulmões. A exposição a material radioativo é um fator desencadeante de câncer, alterações genéticas (esterilidade, abortos) e malformações congênitas.

A pesquisa da OMS tampouco considerará outros contaminantes, como chumbo e mercúrio, como fatores ou variáveis, disse ao Terramérica o chefe da missão dessa agência no Iraque, Syed Jaffar Hussain. A OMS alega que estabelecer as relações de causa e efeito entre a exposição ao urânio empobrecido e a prevalência de defeitos congênitos e câncer exigiria mais investigações a cargo de entidades competentes.

A preparação e discussões sobre este estudo começaram em meados de 2011, após uma onda de relatórios e investigações pontuais que registravam um aumento notável de malformações congênitas no Iraque. Esses estudos indicavam algum tipo de relação entre a contaminação com metais, possivelmente urânio empobrecido usado nos ataques norte-americanos de 2003 e 2004 contra a cidade de Faluja, e o aumento de casos de recém-nascidos com malformações na área dessa cidade.

Mozhgan Savabieasfahani, toxicologista ambiental residente nos Estados Unidos, que publicou junto com sua equipe estudos sobre estes problemas de saúde no Iraque, julga "preocupante" a OMS não considerar o urânio e outros contaminantes como elementos causais. "Esta será uma das maiores debilidades do informe, pois estudos prévios mostraram esse vínculo", afirmou. "Seria lógico realizarem seus exames coletando amostras humanas e ambientais e analisando a presença de metais ou contaminantes nelas", acrescentou.

As tropas norte-americanas e britânicas empregaram no Iraque grande quantidade de armamento com urânio empobrecido, afirma um relatório publicado em janeiro pela organização não governamental holandesa KV Pax Christi. Outro relatório, divulgado em setembro de 2012 pelo Bulletin of Environmental Contamination and Toxicology, indica que o bombardeio de Faluja (centro) e Basra (sudeste) pode ter "exacerbado a exposição pública a metais, culminando, possivelmente, na atual epidemia de malformações congênitas".

As taxas de dano genético e câncer que Faluja apresenta são piores do que as registradas nas populações sobreviventes das bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial, afirma um estudo publicado em 2010 pelo International Journal of Environmental Research and Public Health. Outra investigação indica que foi descoberto urânio e outras substâncias contaminantes no cabelo dos pais de crianças nascidas com problemas genéticos em Faluja.

Não examinar o urânio é "uma omissão importante", disse o geneticista Keith Baverstock, ex-consultor da OMS em saúde e radiações ionizantes. "Não há dúvida alguma de que o urânio empobrecido é tóxico se convertido em sistêmico, e ingressa na corrente sanguínea", afirmou à IPS. A pergunta a respeito de seu uso militar é "em quais circunstâncias pode se tornar sistêmico", destacou.

Como há uma preocupação geral sobre o risco que representa o urânio empobrecido, "minha mente não tem dúvidas de que a direção da OMS falhou no cumprimento de suas obrigações de examinar as consequências deste contaminante na saúde pública", opinou Baverstock. A organização internacional de direitos humanos Human Rights Now, com sede em Tóquio, realizou em fevereiro deste ano uma missão para coleta de dados em Faluja, na qual registrou nascimentos com defeitos congênitos e entrevistou pessoal médico e pais de crianças com esses problemas.

"Esta epidemia de malformações exige imediata atenção internacional", disse ao Terramérica o secretário-geral da Human Rights Now, Kazuko Ito. "O urânio empobrecido é uma das causas possíveis, embora ainda não esteja provado que seja a causa principal. A OMS não dá uma explicação razoável sobre o motivo de deixar este assunto de fora", afirmou.

Esta organização enviou sua relatório aos governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. Em resposta, o Ministério da Defesa britânico alegou que não há evidência científica confiável para sugerir que o urânio empobrecido é responsável por problemas de saúde surgidos depois do conflito nas populações civis, e que as normas deste país permitem utilizá-lo em armamento.

O essencial agora é intervir imediatamente nas zonas afetadas, disse Saeed Dastgiri, professor do departamento de medicina familiar e comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade de Tabriz, no Irã. Em Faluja e Ramadi (centro do Iraque), os casos de defeitos do tubo neural são 2,6; 3,4; 3,8; 4,7 e 6,7 vezes maiores dos que os registrados, respectivamente, em Cuba, Noruega, China, Irã e Hungria, pontuou Dastgiri ao Terramérica. E são 3,2 vezes superiores aos estimados na população mundial, acrescentou.

Contudo, a decisão da OMS de determinar a prevalência antes de entrar nas causas não é ilógica, disse John Pierce Wise, diretor do Centro Maine de Toxicologia e Saúde Ambiental da University of Southern Maine, nos Estados Unidos. "Esse procedimento seria mas lento, pois leva tempo chegar às verdadeiras causas, mas a lógica indica que primeiro deve-se determinar que há um problema para depois buscar as razões de sua existência", explicou.

Embora o impacto do urânio empobrecido nas malformações congênitas ainda não esteja esclarecido pela comunidade científica, Wise afirmou que, se a informação aponta certos fatores que estão provocando o problema, seria mais humano conceber um estudo que aborde os dois aspectos ao mesmo tempo. Identificada a causa, então se pode proteger as crianças que estão sendo concebidas, acrescentou.

A professora canadense Susanne Soederberg, encarregada de pesquisas na Queen's University, preferiu ser mais direta. "A OMS, como a maioria das organizações internacionais, não é uma entidade neutra, mas submetida à influência dos poderes geopolíticos de seus membros. Então, sim, existe uma razão para um grupo de cientistas muito capacitados não estar investigando o porquê de seu estudo", enfatizou ao Terramérica.

* (FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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