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Camada de ozônio se fecha e abre esperanças
Marcela Valente
Buenos Aires, Argentina, 22/11/2012 (IPS) -
Cientistas argentinos coincidem em afirmar que
ocorre uma recuperação da camada de ozônio,
protetora da biosfera ao filtrar a radiação solar
ultravioleta, mas ainda são muito cautelosos para
comemorar uma tendência de solução definitiva.
"Este ano foi benévolo, mas o problema não está
resolvido. O buraco pode aumentar e ser recorde
em 2013", afirmou à IPS o chefe do Departamento
de Vigilância da Atmosfera e Geofísica, Gerardo
Carbajal.
Segundo este especialista, cuja repartição figura na
estrutura do Serviço Meteorológico Nacional, "este
ano o buraco na camada de ozônio foi um dos
menores e fechou antes do previsto, mas é preciso
esperar um tempo para poder falar de uma
tendência". No mesmo sentido se expressou a
engenheira Susana Díaz, do Centro Austral de
Pesquisas Científicas (Cadic): "nos últimos anos se
observa uma leve redução no déficit de massa de
ozônio dentro do chamado buraco".
Susana integra o estatal Conselho Nacional de
Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) e dirige
o Laboratório de Ozônio e Radiação Ultravioleta no
Cadic, em Ushuaia, capital da província da Terra do
Fogo, a mais austral do país. Neste lugar é feita a
medição de filtrações de raios ultravioletas sobre a
cidade para registrar o impacto das radiações
durante a temporada de expansão do buraco na
estratosfera, que vai de setembro e meados de
novembro.
O ozônio é um gás localizado na estratosfera, entre
15 e 35 quilômetros acima da superfície da Terra,
que protege a biosfera ao filtrar raios ultravioletas
prejudiciais para a saúde humana, a flora e a fauna.
A exposição a altos níveis destes raios pode
favorecer uma incidência maior de câncer de pele e
problemas oftalmológicos na população de áreas
afetadas, como é o caso do sul da Argentina e do
Chile.
"Este ano a temporada do buraco durou muito
menos do que em outros, e a tivemos por apenas
dois dias sobre Ushuaia. Houve temporadas em
que durou dez dias, sendo também sentidas mais
ao norte, na Patagônia", disse o biólogo Guillermo
Deferrari. A extensão do buraco é variável. Houve
anos em que chegou a cerca de 30 milhões de
quilômetros quadrados, mas nas últimas semanas
foi de 22 milhões de quilômetros quadrados, uma
área superior à do território da América do Sul.
Segundo o consenso científico, o estreitamento
desta camada sobre a Antártida responde
primordialmente ao consumo de clorofluorcarbonos
(CFCs), uma substância química usada na
produção de aerosois e refrigeradores. Diante da
evidência confirmada na década de 1970, os países
assinaram o Convênio de Viena para a Proteção da
Camada de Ozônio e, depois, em 1987, o Protocolo
de Montreal, convênio que reúne todos os membros
da Organização das Nações Unidas (ONU) e que
fixou um cronograma para a redução e a eliminação
dos clorofluorcarbonos.
Após 25 anos da aprovação desse instrumento
jurídico internacional, a indústria já substituiu o
CFC por hidrofluorcarbono (HFC) que, embora não
danifique a camada de ozônio, é igualmente um
gás-estufa e contribuiu para o aquecimento global.
Por outro lado, ainda existem substâncias que
destroem o ozônio e que não foram substituídas,
como o brometo de metila, um pesticida usado na
horticultura, cuja eliminação completa está prevista
no Protocolo apenas para 2015.
Deferrari, operador de equipamentos de medição de
radiação ultraviolenta sobre Ushuaia no Cadic,
disse à IPS que "os níveis estão estabilizados
agora e não se observa um aumento da destruição
da camada". Também coincide com seus colegas
ao alertar que a melhora não é uma tendência e
que no próximo ano o buraco poderá voltar a
crescer, porque também depende de condições
meteorológicas na Antártida. Porém, é claro que
"se observa uma recuperação", admitiu.
As observações confirmam as afirmações do último
informe do Programa das Nações Unidas para o
Meio Ambiente (Pnud) e da Organização
Meteorológica Mundial, divulgado em 2010. O
estudo, intitulado Avaliação Científica do
Esgotamento da Camada de Ozônio-2010, conclui
que a eliminação do CFC estava "dando resultado"
e que o buraco não estava aumentando, o que é um
sinal de recuperação.
De todo modo, Deferrari explicou que "os níveis de
radiação que tínhamos em 1980 ainda não
voltaram" porque os químicos que destroem o
ozônio demoram dez anos para chegar à
estratosfera, e depois a camada tem um tempo
para se recuperar. Para uma recuperação total do
ozônio estratosférico sobre a Antártida serão
necessários entre 40 e 60 anos mais, segundo
diversos estudos. Contudo, a menor extensão do
buraco é uma notícia muito boa. Envolverde/IPS (END/2012)
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