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Aumenta a exploração sexual de menores no leste da RDC
Passy Mubalama
Goma, República Democrática do Congo, 14/3/2013 (IPS) - Uma rua desta cidade, capital da província de Kivu Norte, na República Democrática do Congo (RDC), é chamada de "bairro da morte" por causa dos crimes brutais que ali costumam acontecer.

No local há "bordéis onde menores de idade são exploradas sexualmente por adultos", disse à IPS o major David Bodeli Dombio, comandante de uma força especial da polícia para a proteção de mulheres e crianças nesta província.

Nos últimos dois anos aumentou a quantidade de prostíbulos em Goma, onde meninas menores de idade são exploradas, bem como o comércio ilegal. "Esses bordéis têm muitas menores, a maioria procedente de famílias pobres e indigentes de Kivu Norte", disse à IPS o diretor do programa de proteção infantil, Faustin Wasolela, da organização não governamental Ações e Iniciativas de Desenvolvimento para a Proteção das Mulheres e da Infância (Aidprofen).

Esta região tem problemas desde abril de 2012 devido aos combates entre forças governamentais e grupos rebeldes, que obrigaram cerca de 2,2 milhões de pessoas a abandonar suas casas, segundo o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Vários prostíbulos foram abertos em diversos bairros de Goma. "Atualmente, há dezenas de bordéis em várias partes", disse à IPS Victorine Muhima, chefe do bairro de Kasika, na comunidade de Karisimbi. Ela concorda com Wasolela em que as duras condições de vida, a pobreza e o incessante conflito estão na origem dessa tendência.

Masika (nome fictício) tem 16 anos e trabalha no pequeno bar Memoire ya Nzambe, de apenas quatro metros quadrados, que também é um bordel. "Sou moça durante o dia e prostituta à noite para poder alimentar minha filha de dois anos. Não sei quem é o pai", contou à IPS. Como moça, Makisa ganha cerca de US$ 20 por mês. Mas de noite pode conseguir até US$ 5 por cliente. "Trabalho aqui desde 2010. Vim de Beni, onde vive minha família. Meus pais são pobres e não puderam me mandar para a escola. Tínhamos somente para comer. Então decidi vir para Goma para fazer algum dinheiro", detalhou.

Em Memoire ya Nzambe são vendidas bebidas alcoólicas e até maconha. Os quartos para os clientes ficam na parte de trás do bar. "Pode-se conseguir uma menina por um ou dois dólares", disse à IPS Emmanuel Bisimwa, um jovem na casa dos 20 anos, cliente habitual. Porém, os proprietários negam que exploram menores. "Tenho cinco empregados, mas são homens. Aqui moças não trabalham para mim", disse à IPS um dos donos, Riziki Mufiritsa.

Como Masika, muitas meninas entre 13 e 17 anos são exploradas por mulheres e homens. Elas dizem não ter alternativa a não ser o trabalho sexual. "Não tenho opção, preciso comprar roupa de baixo, óleo, absorventes, mas não há outro trabalho", explicou Rachel de 15 anos. É um argumento comum que costuma ser ouvido por Idelphonse Birhaheka, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e morador em Goma. "Algumas nos dizem que se prostituem para pagar artigos básicos, como sabão, óleo e absorventes. O conflito armado no lese da RDC deixou na pobreza muitas famílias, para as quais é muito difícil criar os filhos", observou.

Dechine Birindwa é um dos pais com dificuldades para manter sua família. "A vida ficou muito dura. É difícil encontrar comida, e nem pensar em comprar roupa ou sapatos para minhas filhas. É muito duro, elas têm que se arranjar", disse à IPS. Embora a força especial da polícia tenha iniciado uma investigação sobre a exploração sexual de menores, o major Dombi disse que não é uma tarefa fácil. "É difícil encontrar os bordéis, mas quando os descobrimos interrogamos os donos e fechamos alguns após uma investigação", pontuou. Segundo Wasolela, "necessitamos da ajuda de todos, da polícia, que deve implantar formas de dissuasão e de persuasão, mas também de igrejas, escolas, pais e até da imprensa para lutar contra este fenômeno". Envolverde/IPS (END/2013)