Megacidades enfrentam escolhas de vida ou morte

Posted on 21 June 2012 by admin

An√°lise de Julio Godoy

RIO DE JANEIRO, 20 de junho (TerraViva) O clich√™ de que c√ļpulas gigantescas como a Confer√™ncia das Na√ß√Ķes Unidas sobre Desenvolvimento Sustent√°vel, a Rio+20, s√£o “grandes demais para ter sucesso” tamb√©m pode ser aplicado para as megal√≥poles dos nossos dias, tais como o Rio de Janeiro: elas s√£o simplesmente grandes demais para se tornarem verdes e sustent√°veis.

Barracos perto de cursos de √°gua s√£o uma vis√£o comum em Manila. Foto: Kara Santos/IPS

E ainda assim, este √© precisamente o compromisso assumido pelos prefeitos das 59 maiores cidades do mundo, reunidas no chamado grupo C-40. Em um evento paralelo durante a Rio+20, os prefeitos do grupo C-40 lembraram que os maiores centros urbanos do mundo t√™m “o potencial de reduzir as suas emiss√Ķes anuais de gases de efeito estufa em mais de um bilh√£o de toneladas at√© 2030″, uma quantidade equivalente √†s emiss√Ķes anuais de M√©xico e Canad√° juntos. Agora, os prefeitos querem reduzir as emiss√Ķes em 45% at√© 2030.

Aten√ß√£o para a palavra “potencial” ‚Äď onipresente nestes dias de admiss√Ķes humildes de bem conhecidos dados cient√≠ficos sobre cat√°strofes concretas, e promessas vagas para enfrentar os problemas em algum momento no futuro. Na verdade, megal√≥poles em todo o mundo, do Rio de Janeiro √† Cidade do M√©xico, de T√≥quio a Xangai, t√™m um vasto potencial para reduzir sua polui√ß√£o, porque elas s√£o grandes poluidoras em primeiro lugar. Uma megal√≥pole por si s√≥ constitui um desperd√≠cio sem sentido de energia, humana ou n√£o.

Para mudar isso, as cidades precisam lan√ßar uma revolu√ß√£o improv√°vel e possivelmente pouco popular, que poderia afetar praticamente todos os aspectos da vida, dos transportes e a gest√£o de res√≠duos, at√© a gera√ß√£o e o consumo de eletricidade, o abastecimento de alimentos e a gest√£o populacional. Para uma tal revolu√ß√£o ter sucesso, as cidades deveriam parar de atrair popula√ß√Ķes rurais em busca de uma vida melhor nos grandes centros urbanos. Se a revolu√ß√£o fosse bem-sucedida, as megal√≥poles se tornariam capitais de pa√≠ses de contos de fadas, algo improv√°vel de se tornar realidade em nossas vidas.

Vamos come√ßar com o transporte. √Č sabido que a atividade de transporte √© respons√°vel por 13% de todos os gases de efeito estufa gerados pelo homem, e por 23% do di√≥xido de carbono (CO2) do mundo, provenientes da combust√£o de combust√≠veis f√≥sseis. A depend√™ncia do petr√≥leo √© de assustadores 95%, sendo o setor respons√°vel por 60% do consumo total de petr√≥leo. Para reduzir a sua quota de polui√ß√£o, as cidades teriam de oferecer transporte p√ļblico eficiente e, simultaneamente, desencorajar o uso de autom√≥veis particulares, aumentando substancialmente a tributa√ß√£o e os pre√ßos dos combust√≠veis, e limitando o acesso aos centros urbanos.

As cidades teriam de incentivar o uso de bicicletas, aumentar significativamente a efici√™ncia de motores de combust√£o para reduzir os gases de escape e garantir a seguran√ßa para os usu√°rios do transporte p√ļblico, especialmente nos pa√≠ses em desenvolvimento. Hoje, o crime √© um importante fator desestimulante para os cidad√£os, particularmente as mulheres, usarem o transporte p√ļblico.

Seria um eufemismo chamar esse conjunto de metas algo dif√≠cil de alcan√ßar, caro, e muito provavelmente impopular. Mas isso √© s√≥ o come√ßo da lista de coisas a fazer para administra√ß√Ķes e planejadores urbanos.

Embora o aquecimento n√£o seja um problema grave nas cidades tropicais, ele o √© em pa√≠ses com invernos frios. Nesses locais, otimizar o isolamento t√©rmico dos edif√≠cios √© uma obriga√ß√£o, e tamb√©m √© ter sistemas de condicionamento de ar mais eficientes durante os ver√Ķes quentes. Isto requer enormes investimentos privados, que precisam do apoio de ag√™ncias estatais de cr√©dito, e cortes de impostos para torn√°-los atraentes para os cidad√£os. Edif√≠cios-modelo com emiss√Ķes zero j√° existem em alguns pa√≠ses industrializados – mas eles s√£o modelos, ainda est√£o muito longe de se tornarem o padr√£o da pol√≠tica habitacional.

Al√©m disso, as cidades ter√£o de depender cada vez mais em fontes renov√°veis ‚Äď sol, vento, biomassa. Elas devem desencorajar res√≠duos, especialmente pl√°stico, alum√≠nio e outros compostos n√£o degrad√°veis. Quando os res√≠duos s√£o inevit√°veis, eles deve ser reciclados. Cidades ter√£o de usar fontes locais e regionais de alimentos para reduzir ainda mais as emiss√Ķes dos transportes. E assim por diante …

Como j√° mencionado, a cidade sustent√°vel do futuro n√£o apenas deveria desencorajar a migra√ß√£o vinda do campo, como tamb√©m teria que incentivar o retorno para as √°reas rurais para reduzir a sua pr√≥pria popula√ß√£o. Em outras palavras, a cidade sustent√°vel do futuro teria que espelhar o pa√≠s sustent√°vel do futuro, que oferece oportunidades para popula√ß√Ķes em √°reas rurais, cruzadas por mais por ferrovias do que por rodovias, o pa√≠s verde e socialmente justo de nossos sonhos.

Esse país não está logo ali na esquina, e certamente não se tornará possível por meio dessas conferências gigantescas, como a Rio+20. Esse país, os cidadãos terão de construir por conta própria. Envolverde/IPS

(FIM 2012)

  • Alessandra Ribeiro

    Desenvolvimento
    Sustentável é satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a
    capacidade das gera√ß√Ķes futuras de satisfazerem as suas pr√≥prias
    necessidades.Leia mais sobre solu√ß√Ķes para
    megacidades. http://www.siemens.com.br/desenvolvimento-sustentado-em-megacidades/Alessandra Ribeiro

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