O valor das commodities ambientais

Posted on 20 June 2012 by admin

Por Clarinha Glock

RIO DE JANEIRO, 20 junho (TerraViva) – A economista brasileira Amyra El Kalili começou a atuar no mercado financeiro quando as mulheres nem pensavam em chegar perto dos bancos. Uma das pioneiras no uso da expressão commodities ambientais, em 18 de junho deu uma palestra sobre Fraudes no Monitoramento do Financiamento Climático durante um seminário da agenda paralela da  Rio+20.  Filha de um beduíno palestino que chegou ao Brasil na década de 60,  tem duas certezas: a primeira é que palestinos e israelenses estão predestinados a conviverem lado a lado, por isso defende dois Estados para dois povos; e a segunda é que o meio ambiente chegou ao mercado e os instrumentos econômicos financeiros ambientais são mais do que necessários.

“Chamo isso de responsabilidade socioambiental do sistema financeiro”, explicou Amyra a Terraviva. Esse novo mercado deve considerar o impacto social, ambiental e de geração de ocupação e renda, e agregar todas as reinvidicações feitas na Cúpula dos Povos a seu planejamento financeiro. A crítica de Amyra é sobre como o sistema se apropriou do termo commodities ambientais. “Meio ambiente, recursos naturais estratégicos e bens comuns não pertencem ao Estado, são bens de uso difuso; o Estado é tutelador, e não pode, pela Constituição, vender ou doar”, salientou. Portanto, o minério não é do minerador, que tem uma concessão para explorar. Ninguém pode se adonar da água, é um direito humano.

Amyra El Kalili, crítica aos créditos de carbono. Crédito Clarinha Glock.

As commodities convencionais são produtos ou mercadorias, geralmente matérias-primas, produzidos em larga escala em nível mundial. Exigem tecnologias de ponta, maquinário pesado, monocultura intensiva e de exploração mineral. Falar de Mercado de Carbono significa que alguém aposta que vai ter poluição no futuro e está dizendo para o mercado se proteger, observou a economista. Para Amyra, a natureza jurídica do Mercado de Carbono não é clara. O que se quer, na verdade, é fazer com que as empresas deixem de ser poluidoras e passem para o mercado sustentável. De boa fé, os Mercados de Carbono deveriam ter prazos, pressupondo que a poluição vai acabar, o que não ocorre. E o Estado deveria ser capaz de fiscalizar, o que não acontece.

Já as commodities ambientais defendidas por Amyra são construídas com as comunidades e originárias dos recursos naturais em condições sustentáveis.  Amyra chegou a esse conceito quando passou a estudar o binômio água e energia, na década de 90, depois de ter mergulhado no sistema financeiro durante mais de 20 anos, parte deles na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). “As commoditie ambientais têm que conservar o patrimônio natural e não degradá-lo ou mercantilizá-lo. O sistema financeiro deve ser o agente financiador para que as populações preservem o meio ambiente e tenham ocupação e geração de renda”, disse.        (TerraViva)

(FIM/2012)

Download PDF File

Download TERRAVIVA PDF File
Download TERRAVIVA PDF File   Download TERRAVIVA PDF File

 
ADVERTISEMENT
ADVERTISEMENT

 
Expo Milano
 

Photos from our Flickr stream

See all photos

RECENT VIDEOS

Terraviva talks to Giuseppe Sala, CEO of EXPO Milano 2015 Expo Milano 2015 is in Rio to kick off its global dialogue on food and energy. During a side on June 21, CEO Giuseppe Sala gives an overview of the Expo 2015 that will run from May to October in Milan, Italy.more >>.

Upcoming Events


 

RSS News from our partners

  • Are you ready to Connect4Climate?
    World Bank's social media campaign engaged African youth caring about climate change.
  • Natural capital accounting
    Thomson Reuters Foundation and the World Bank have jointly produced a video explaining the concept of “natural capital accounting” in the run-up to the Rio+20 summit on sustainable development. The seven-minute video news release (VNR) was created as part of a World Bank campaign for countries to carry through on promises to include the full [...]
  • IUCN World Conservation Congress
    IUCN, the International Union for Conservation of Nature, is a long standing member of COM+. It helps the world find pragmatic solutions to our most pressing environment and development challenges by supporting scientific research; managing field projects all over the world; and bringing governments, NGOs, the UN, international conventions and companies together to develop policy, [...]
  • IFC, Union for Ethical BioTrade Encourage Businesses to Protect Biodiversity in Latin America
    Rio de Janeiro, Brazil, June 17, 2012—IFC, a member of the World Bank Group, and the Union for Ethical BioTrade today announced an agreement at the Rio+20 Conference to increase private sector awareness of biodiversity and strengthen market frameworks for protecting it in Latin America. In addition to aiding environmental conservation, the partnership will help [...]
  • Rio de Janeiro e Banco Mundial lançam inédito Programa de Desenvolvimento de Baixo Carbono da Cidade
    RIO DE JANEIRO, 18 de junho de 2012 – A Cidade do Rio de Janeiro e o Banco Mundial lançaram hoje, durante a Cúpula dos Prefeitos – evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável-Rio+20 –, um programa pioneiro na esfera municipal para colocar em prática ações para o desenvolvimento de baixo carbono [...]

Sponsors and Partners of TerraViva Rio + 20


 
   
 
 
   
 
 

TerraViva is an independent publication of IPS Inter Press Service news agency. The opinions expressed in TerraViva do not necessarily reflect the editorial views of IPS or the official position of any of its sponsors or partners.
 

SOCIAL MEDIA