Quem paga a conta da economia verde?

Posted on 17 June 2012 by admin

Por Fabíola Ortiz

RIO DE JANEIRO, 17 jun (TerraViva) – Quem pagará a conta da transição para uma economia verde em um momento em que o contexto de crise do cenário econômico mundial não favorece a tomada de nenhum compromisso financeiro e de aporte de recursos?

Os meios de financiar a passagem para um modelo econômico de baixo carbono tem sido tema de discussão dos inúmeros eventos paralelos à conferência Rio+20, como o Fair Ideas que decorre neste fim de semana na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Promovido pelo Instituto Internacional para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (IIED), o evento reuniu especialistas para debater temas ligados à sustentabilidade no desenvolvimento dos países, nos negócios e nos centros urbanos.

Especialistas debatem Economia Verde.

“Nós ainda não vemos ação na escala necessária, a velocidade de mudança é muito abaixo do necessário. O que cabe à ONU é criar uma visão comum e estimular um compromisso político entorno de novos paradigmas que não são pequenos”, disse à IPS  Virgilio Viana, fundador e superintendente-geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS).

Enquanto impera a divergência na elaboração do documento final da Rio+20 que, em nome de enxugar a declaração final, negociadores retiraram pontos polêmicos como a proposta feita pelo G-77 de criação de um Fundo de U$S 30 bilhões para financiar as ações de transição dos países mais pobres para a chamada economia verde, ambientalistas e críticos ao processo de negociação defendem outras ferramentas.

“Precisamos pensar em outros mecanismos inovadores de financiamento”, argumenta Viana. A ideia do Fundo, ainda que importante, não se mostra viável no momento atual em que países deveriam se comprometer financeiramente.

O idealizador do FAS pondera que, mesmo que o Fundo fosse criado, sua burocracia emperraria a destinação de recursos e o tornaria ineficiente. Viana defende o estabelecimento de uma taxa para as transações financeiras a nível global como forma de arrecadar recursos.

Questionada por IPS, a ministra do meio ambiente da Dinamarca – país que assumiu em 2012 a presidência rotativa daUnião Europeia –, Ida Auken, recém chegada ao Rio de Janeiro para a Conferência, afirma estar otimista e que é possível ir além do que está sendo discutido pelos negociadores.

“A Conferência ainda não acabou, estamos engajados nessa discussão (da economia verde) em que nós, como políticos, podemos avançar para além dos negociadores. É nossa obrigação fazer isso. Sabemos que não é preciso tantos recursos para realizar ações efetivas. Podemos atrair investimentos privados e ter mais capacidade para investir no mundo em desenvolvimento. A economia verde não é apenas um caminho a seguir, é o único caminho a seguir”, afirmou Ida Auken.

Na declaração final da Rio+20, além de o fundo bilionário ter sido descartado, também foi adiada a definição dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (SDGs, em inglês, Sustainable Development Goals). O detalhamento de metas ficará para um processo de negociação pós-Rio+20.

A ministra dinamarquesa enfatizou o “dever de traçar metas e alvos ambiciosos”, mas reconhece que apenas será alcançado um consenso dos temas que deverão estabelecer os SDGs.

“Devemos falar dos principais pontos da nossa economia, como retirar as pessoas da pobreza, garantir água, preservar oceanos, florestas, segurança alimentar e energia que devem ser gerenciados de forma sustentável e devem ter seu acesso garantido para a população. São essas as áreas principais, além de cidades sustentáveis já que mais e mais pessoas vivem nos centros urbanos. A forma como as cidades se desenvolvem é extremamente importante”, concluiu.

Virgilio Viana da FAS vai além e discute a necessidade de estabelecimento de indicadores para medir o cumprimento dessas metas.

“É uma discussão técnica e científica, este não é papel dos chefes de Estado e de Governo que é o de elencar os temas”, destacou.

 

2% do PIB mundial para economia verde

O PNUMA estima que, para começarmos a transição rumo a uma economia verde, são necessários U$S 1.3 bilhões.

Segundo o relatório da Coalizão pela Economia Verde (Green Economy Coalition no documento “The Green Economy Pocketbook”), se 2% do PIB mundial for investido em economia verde, serão criados cerca de 9,6 milhões de novos empregos por ano.

A pegada ecológica da humanidade já ultrapassa a 52% da capacidade de renovação e regeneração dos recursos naturais do planeta.

Florestas que são geridas por populações locais e tradicionais ocupam cerca de um quarto das florestas do planeta e provêem entre U$S 75 e 100 bilhões por ano em bens e serviços florestais.

Só em 2007, o pagamento por serviços ambientais totalizaram U$S 77 bilhões em todo o mundo e deve alcançar o patamar de U$S 300 bilhões em 2020.

De acordo com o PNUMA, os ecossistemas fornecem serviços essenciais à humanidade na ordem de U$S 72 trilhões por ano, comparável até mesmo à renda mundial bruta dos países.

Mesmo assim, aproximadamente dois terços dos ecossistemas globais são considerados degradados. Bens naturais protegidos fornecem à economia um retorno de até 100 vezes mais do que se gasta para mantê-los.

O grupo de trabalho sobre Economia da Adaptação Climática constatou que as ameaças climáticas podem custar às nações 19% do seu PIB até 2030, sendo que os países em desenvolvimento são os mais vulneráveis.

De acordo com avaliação da empresa Munich Re, uma das maiores companhias de resseguro do mundo, o ano de 2011 foi o mais custoso e bateu o record de catástrofes naturais, contabilizando U$S 776 bilhões. (IPS/TerraViva)

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